O GUARDIÃO DAS SOMBRAS: A LENDA DA FLORESTA PROIBIDA

Era uma noite sufocante em Envira, onde a floresta amazônica parecia viva, sussurrando segredos que apenas os mais atentos ousariam escutar. O céu, coberto por uma espessa camada de nuvens, sufocava o brilho das estrelas. O ar, carregado de umidade, trazia consigo uma sensação de opressão e mistério. Os moradores falavam em sussurros quase inaudíveis sobre uma antiga lenda que pairava na cidade: a história de O Sombra.

Diziam que O Sombra era mais do que uma criatura; era um espírito ancestral, um guardião traído pela ambição humana, agora transformado em algo aterrorizante. Ele emergia das profundezas da mata em noites sem lua, caçando aqueles que ousavam desafiar ou desrespeitar a floresta. Muitos que entraram na mata após o pôr do sol desapareceram sem deixar vestígios, tornando-se parte da lenda.

Apesar dos avisos, um grupo de jovens, céticos e ousados, decidiu desafiar o mito. Equipados com lanternas e câmeras, riam das histórias enquanto se embrenhavam na escuridão da floresta. "É apenas uma superstição", diziam, zombando do medo dos mais velhos.

Conforme se afastavam da cidade, a atmosfera começava a mudar. O ar tornava-se denso, carregado de uma energia que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem. O silêncio da mata era quebrado apenas por ruídos distantes, como o estalar de galhos e o grito de algum animal noturno. As risadas deram lugar a murmúrios nervosos quando sombras inquietas começaram a dançar entre as árvores. 

Lucas, o mais sensível do grupo, sentiu a presença primeiro. Era como se olhos invisíveis os observassem. “Gente, vamos voltar,” sugeriu, com a voz trêmula, mas os outros riram, chamando-o de medroso. Continuaram até encontrar uma clareira, onde decidiram descansar. A luz das lanternas mal conseguia afastar a escuridão, que parecia mais densa ali. Enquanto conversavam, uma brisa gélida atravessou o lugar, trazendo um silêncio inquietante.

De repente, um som baixo e gutural ecoou entre as árvores. Parecia se aproximar, ressoando como um aviso. "É só um animal," disse Clara, tentando manter a calma, mas seu rosto pálido traía seu medo. O som cresceu em intensidade, e então, emergiu das sombras. **O Sombra** era imenso, uma silhueta disforme com olhos que ardiam como brasas em meio à escuridão. Ele não caminhava, mas flutuava, e sua presença emanava uma fúria antiga e implacável.

O pânico tomou conta do grupo. Eles correram, tropeçando na vegetação, enquanto a escuridão parecia engolir o caminho de volta. Os gritos dos amigos ecoavam na noite, cada um mais distante que o anterior, até que apenas Lucas restou. Ele correu como nunca, sentindo o peso de um olhar que perfurava sua alma. Quando finalmente alcançou as luzes da cidade, parou e olhou para trás. A floresta estava quieta, mas ele sabia: O Sombra ainda estava lá, esperando.

Na manhã seguinte, Lucas foi encontrado pelos moradores, sujo, tremendo e em estado de choque. Entre soluços, contou sobre o que havia acontecido. Alguns acreditaram; outros zombaram, dizendo que ele estava louco. Mas o que era inegável é que seus amigos nunca mais foram vistos.

Desde então, a floresta tornou-se ainda mais temida. À noite, quem ousava se aproximar ouvia sussurros carregados pelo vento, palavras que pareciam avisar: "Respeite a floresta, ou enfrente a fúria do guardião." O Sombra continuou sua vigília, um espírito vingador que protegia as profundezas misteriosas da Amazônia, onde a natureza reina absoluta e os segredos são protegidos a qualquer custo.

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