A CASA DA SOMBRA: O PORTAL PARA O HORROR

Em uma cidade esquecida pelo tempo, onde o silêncio era quebrado apenas pelo sussurro do vento, havia uma casa que ninguém ousava visitar. Situada no alto de uma colina isolada, cercada por árvores retorcidas e mortas, ela era conhecida como "A Casa da Sombra". Os moradores evitavam até mesmo olhar para ela, temendo atrair sua maldição. 

A lenda era tão sombria quanto a própria casa. Diziam que fora construída por Malcolm, um homem que perdera sua esposa e filhos em um incêndio terrível. Devastado pela dor, ele enlouqueceu e se entregou a rituais obscuros, buscando trazer sua família de volta. Mas o que ele trouxe não era humano. A casa tornou-se um lugar de escuridão viva, uma prisão de horrores que se alimentava de almas.

Ignorando os avisos, um grupo de jovens, movido pela curiosidade insensata, decidiu explorar o lugar. Assim que cruzaram o portão enferrujado, a temperatura despencou. O ar era pesado, como se algo invisível os observasse. Dentro da casa, o silêncio era opressor. As paredes descascadas pareciam respirar, e o piso rangia sob seus pés como um aviso sombrio. 

Subindo a escada principal, chegaram a um quarto com uma porta trancada. Contra todas as advertências que ecoavam em suas mentes, forçaram a entrada. No centro do aposento empoeirado, havia um espelho antigo, o vidro manchado como se refletisse mais do que a realidade. Uma mensagem escrita em sangue seco estava gravada no espelho: **"Não olhe para mim."** 

A tensão aumentou. Mas a curiosidade superou o medo, e um dos amigos, com um sorriso nervoso, encarou o espelho. Seu reflexo começou a se distorcer, os olhos afundando em órbitas vazias, a boca se esticando em um grito silencioso. Antes que ele pudesse desviar o olhar, uma força invisível o puxou para dentro do espelho com um som grotesco, como carne sendo rasgada.

A casa respondeu. O chão tremeu, os móveis começaram a deslizar sozinhos, e passos pesados ecoaram do andar de baixo. Os amigos restantes correram em direção à porta de entrada, mas a encontraram selada. Janelas desapareciam nas sombras. Eles estavam presos.

Um por um, foram engolidos pela casa. Gritos cortavam o ar antes de se transformarem em um silêncio mortal. O último sobrevivente, tremendo e à beira do desespero, encontrou um diário empoeirado jogado em um canto. Pertencia a Malcolm. Suas páginas revelavam o impensável: a casa não era apenas amaldiçoada; ela era um portal para o inferno. Cada alma capturada fortalecia o vínculo entre os dois mundos.

O sobrevivente tentou fugir, correndo sem rumo pela casa que parecia mudar a cada passo. Portas surgiam onde antes havia paredes; corredores se esticavam, infinitos. Então, a escuridão o engoliu. Seus gritos ecoaram pela colina antes de desaparecerem para sempre.

Hoje, "A Casa da Sombra" permanece abandonada, mas não esquecida. À noite, aqueles que ousam se aproximar relatam ouvir sussurros gelados, passos pesados e gritos sufocados. Alguns juram ver vultos nas janelas, olhos que os observam famintos. Mas ninguém entra. Porque todos sabem que, uma vez dentro, ninguém jamais sai.

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